“A Cura não pode ser maior que a doença”

Zizo Ribeiro 24/03/2020

O Instituto Brasil 200 no papel de debater e elucidar questões econômicas, sociais e governamentais quer primeiramente dizer que está sensibilizado junto ao cidadão brasileiro, que vem enfrentando de forma apreensiva a situação mundial da pandemia do Coronavírus.

O mundo está vivendo uma guerra, a qual o adversário é invisível e não mede fronteiras. Como toda e qualquer batalha, é necessário que se tenha estratégia e perseverança para combater o inimigo.  Sem estratégia, a derrota é certa numa guerra.

Findo esta introdução, vamos direto a estratégia que precisamos debater para que toda esta contaminação não gere mais problemas a saúde do país.

Quando falamos de saúde não podemos simplificar falando apenas do Coronavírus.  Segundo a World Health Organization, doenças contagiosas matam em torno de 2,850 milhões de pessoas por ano, câncer mata em torno de 1,8 milhões de pessoas por ano, álcool em torno de 1,1 milhão por ano, HIV em torno de 370 mil por ano, Malária em torno de 215 mil por ano e Gripe em torno de 110 mil pessoas por ano. Segundo a OMS morrem no mundo anualmente 17,5 milhões de pessoas em decorrência de doenças cardíacas.

O SUS sempre foi criticado pela falta da qualidade e demora no atendimento. O rápido poder de contaminação do Coronavírus pode sim colapsar o sistema de saúde provocando mais mortes, além das doenças mencionadas acima.

A mídia em geral, Governo Federal, Governadores e Prefeitos tem sido primordiais em alertar e disseminar os cuidados a serem tomados pela população neste momento de crise.  A adoção de medidas drásticas e incomuns têm sido de extrema importância para a conscientização da população.

Temos que cuidar de 3 pilares:

1)            Proteger e isolar aqueles que correm mais risco de vida (idosos, pessoas com doenças crônicas e baixa imunidade);

2)            Não colapsar o sistema de saúde (para todas as doenças);

3)            Manter a economia ativa para que as pessoas possam se manter.

Os 15 dias determinados para o fechamento do comércio e de todos os serviços não essenciais, além da restrição de circulação, tem sido importantes para:

Conscientizar a população a cuidar de si própria e principalmente dos mais vulneráveis;

Para dar tempo aos governadores e prefeitos adotarem medidas contra aglomerações e implantação de hospitais de campanha para o provável aumento de pessoas infectadas, assim como opções de isolamento;

Para as pessoas mais vulneráveis;

Para evitar contaminação em massa no transporte público;

e para dar tempo a comunidade internacional descobrir possíveis medidas de cura.   

As medidas de prevenção, contenção e isolamento fazem parte da estratégia para vencermos a batalha contra o coronavírus, porém não menos importante precisamos manter a capacidade da população gerar renda para que possa SOBREVIVER. Não podemos fazer da cura um mal maior que a doença, podendo ocasionar uma convulsão social. 

Da mesma forma que a saúde pode colapsar, as pessoas mais necessitadas irão enfrentar severos problemas financeiros se não puderem ganhar seu suado dinheiro. Já é uma realidade a incapacidade da população em pagar suas contas e até mesmo comprar alimentos. Estamos falando do pipoqueiro que fica na porta da escola que está fechada, do motorista de Uber e do taxista que não tem cliente, do vendedor de hot dog de rua, dos ambulantes, das diaristas, dos garçons, dos cabeleireiros, das manicures, dos funcionários de fábrica, dos pintores, dos hotéis, das pessoas que vivem do Airbnb, dos milhões de assalariados de lojas, clinicas, academias, shoppings, construtoras, esportistas, artistas, etc. 

As empresas que geram emprego e renda aos seus colaboradores podem seguir apenas três caminhos:

Fechar, demitir ou falir.

Todas as opções irão aumentar o desemprego e aprofundar a crise econômica e social. Guilherme Benchimol, principal acionista da XP, estima que podemos chegar a arrasadora marca de 40 milhões de desempregados, ou seja, 3,5 vezes o número de desempregados que temos hoje.

Mais de 50% das pequenas empresas tem menos de um mês de capacidade financeira para se manter aberto.

Há também o risco sistêmico de clientes não pagarem fornecedores gerando uma crise de confiança e crédito sem precedente causando danos imensuráveis no sistema financeiro. 

Mais desemprego significa menos consumo e consequentemente mais desempregos tornando um ciclo vicioso.

Já é histórico que problema financeiro das pessoas afeta diretamente a saúde da população e mata.

Não podemos esquecer que é a partir do consumo que se gera imposto para pagar todo o custeio dos governos e as centenas de bilhões de reais dos salários dos funcionários públicos como juízes, políticos, procuradores, professores, policiais, médicos, bombeiros, agentes sociais, etc.

Porém há uma grande diferença entre o setor público e o setor privado; o setor público não demite, de forma que não pode reduzir seu custo.

Com menos impostos a receber e um alto custo de manutenção, o governo não tem capacidade de se sustentar e muito menos custear a iniciativa privada. Só restam duas maneiras ao governo para adquirir dinheiro:

1)            Impressão de papel moeda

Solução não muito adequada pois gera inflação e afeta os mais pobres com a desvalorização da moeda.

2)            Tomar empréstimo junto ao mercado financeiro

Solução que aumenta a dívida interna e custo de manutenção das contas governamentais que já estão combalidas.

Há soluções paliativas que o congresso nacional pode tomar de imediato, como transferir para a saúde os quase 3 bilhões de reais do fundo eleitoral assim como quase 1 bilhão de reais do fundo partidário.  O político tem que decidir o que é mais importante para eles; proteger a vida dos brasileiros ou se aproveitarem do dinheiro público para se elegerem.

Da mesma forma que o salário do cidadão comum despencou, ou até mesmo zerou para aqueles que ficaram desempregados, é justo que o governo ajuste suas contas, por um período, reduzindo em ao menos 25% os salários dos funcionários públicos que ganham mais que dois salários mínimos.    

Concluímos que é extremamente necessário que os governantes iniciem a abertura do comércio de forma gradual e retome as atividades da indústria, escolas, restaurantes e serviços a partir do dia 7 de abril, com medidas de higiene e comportamento rígidos para que possamos viver de forma harmoniosa e minimizar problemas maiores que podem ocorrer com estratégias erradas; afinal “a cura não pode ser maior que a doença”.

Continuamos trabalhando para ajudar a engrandecer o debate de forma construtiva.

Fonte: Produção própria